quarta-feira, 4 de maio de 2011

Do Pessoa ao Zé

“Pensar é estar doente dos olhos.”

Disto o “Pessoas” já sabia
e lá estava ele,
doente.

Quero parar de pensar
Não penso se distraído
Penso quando o sentir me trai

Penso quando da minha boca
Ambígua e feminina
A voz evasiva sai

Os sentidos quando ausentes
Vago entre o sim
E o não de um sonho
Adivinhando o som
De uma das mãos
Ao encontrar a outra

Quando ausentes
Permaneço em silêncio
Como quem flutua
Abrandando o tempo

Quando ausentes
Lanço-me ao caos
Para um lugar incerto
Que há entre o zero e o Ás

Quero aqui fazer uma canção pra os sentidos
Mas não cantarei qualquer sentido
Apenas os bons

Cantarei aqueles que me presenteiam
Com textura fina e branca da pele de quem amo
E com o perfume do meu Saint Laurent francês

Cantarei os que me permitem
A Valsa Brasileira do Chiquedu
E o agridoce de fruta dormida do acordar a dois

Cantarei
Ah! sim, - cantarei
Os que me garantem ser
A visão do desejo nos olhos do meu amor.

No mais, à moda Zé,
Estou indo embora...



Itaipuaçu 30/03 - 25/04/2009
Niterói 16/06/2009